MATÉRIA REVISTA ÉPOCA

PRONUNCIAMENTO DO DEPUTADO VICENTINHO PROFERIDO NO PLENÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS – 4/4/2011

O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Vicentinho, para uma Comunicação de Liderança, pelo PT. S.Exa. dispõe a 10 minutos.
O SR. VICENTINHO (PT-SP. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, primeiramente, quero agradecer ao Líder do meu partido, o companheiro Deputado Paulo Teixeira, que, sabedor da gravidade do assunto de que vou tratar, me concedeu a oportunidade de dirigir-me aos colegas, aos telespectadores da TV Câmara e aos ouvintes da Rádio Câmara.
Fui surpreendido, no final da última semana, com matéria publicada na revista Época em que sou acusado diretamente, assim como outros colegas. Resolvi, então, redigir e divulgar uma nota sobre o assunto, e peço aos companheiros que conhecem minha história de vida que ajudem a divulgar o que vou dizer agora neste pronunciamento.
Infelizmente, os meios de comunicação da grande mídia não divulgam fatos verdadeiros. Cometem imensas irresponsabilidades quando publicam matérias desse tipo. E, quando vão corrigir um erro, publicam a correção no cantinho de página. Portanto, é importante que os meus amigos informem ao povo a verdade.
Nota de esclarecimento:
Sobre a matéria divulgada nesta semana pela revista Época, cuja manchete é Mensalão, em que cita o meu nome, esclareço que:
Em 2003 — vejam que estamos em 2011 — procurei o meu partido, na pessoa do Delúbio Soares, então tesoureiro do PT Nacional, para pedir apoio a minha candidatura a Prefeito de São Bernardo do Campo. Em 2004, portanto antes da crise chamada Mensalão, o Delúbio nos mandou uma agência de propaganda para fazer a minha campanha, a mesma que também atuou na campanha do companheiro Emídio de Souza, em Osasco. Este fato é de conhecimento público desde aquela época.
Eu aceitei e agradeci com muita alegria a presença da agência e por essa importante colaboração do Partido dos Trabalhadores. Depois soube que a empresa — isso um ano e meio depois — pertencia ao Sr. Marcos Valério. Jamais imaginei que tudo isso poderia acontecer. Pois, se soubesse, nunca teria aceitado.


Hoje sou surpreendido com esta matéria, sete anos depois. Matéria está divulgando que a Polícia Federal constatou que um senhor Nélio José Batista recebeu desta agência —
portanto, da agência do Valério — o valor de R$17.000,00, alegando ter trabalhado para a mesma agência em favor da minha campanha a Prefeito.
Logo, percebe-se na própria matéria da revista que não fui eu quem pagou nem fui eu quem recebeu.
Ao consultar os membros da coordenação daquela campanha naquela época, constato que não somente eu, mas nenhum deles, conheceu esse Sr. Nélio. Logo, nunca tivemos qualquer tipo de transação com esse cidadão. Ele nunca foi nosso assessor. Nunca trabalhou conosco. A não ser que ele tenha sido uma espécie de eminência parda da agência e que nunca se mostrou.
Considero um erro grave a Polícia Federal ter ouvido esse Sr. Nélio e em nenhum momento, durante sete anos, ter procurado a mim ou à minha assessoria para nos ouvir, pondo em risco a nossa história de vida de forma irresponsável.


Lamento a postura da grande mídia deste País. Me vem à memória outro episódio: daquela vez a grande mídia, ao denunciar que um senhor Jair dos Santos retirou dinheiro no Banco Rural, em Brasília, disse que ele era meu assessor. Simplesmente pelo fato de eu ter, na época, um trabalhador rural com o mesmo nome, na cidade de Motuca, interior de São Paulo. Entretanto tratava-se do motorista do ex-presidente do PTB, o recém-falecido deputado José Carlos Martinez. Embora parte da mídia tenha divulgado a informação de que não se tratava de um assessor meu, fez isso com menos ênfase, em espaço de tempo inferior
ao dedicado à denúncia e também sem dizer de quem era o verdadeiro assessor, causando enormes prejuízos à minha imagem, sem qualquer pedido de desculpas.
Dessa vez, o jornalista da revista Época ligou várias vezes, e, quando o atendi, estava tão apressado que parecia ter uma batata quente na mão. Quando respondi, ele rapidamente disse: Está o.k e desligou, como que dizendo queria apenas cumprir a obrigação de falar comigo. E colocou na matéria apenas pequena parte do que lhe eu disse.
Continuo, Sr. Presidente.
Como todos sabem da minha luta e do meu compromisso ético, luta esta construída durante toda a minha vida, eu não posso aceitar que tal matéria e comportamentos eivados de erros ponham em dúvida a minha trajetória. Informo ainda que as minhas contas da campanha de 2004 foram aprovadas cabalmente pela justiça eleitoral.
Mesmo assim, coloco-me inteiramente à disposição de qualquer instituição para os devidos esclarecimentos, se necessário for.
Reafirmo aqui o meu compromisso com a luta pelos direitos dos trabalhadores, pela dignidade humana, contra todo tipo de discriminação, e pela ética na política.
Manifesto, enfim, toda confiança no projeto histórico desenvolvido pelo meu Partido dos Trabalhadores e a inabalável fé naquele que foi o melhor Presidente da República deste País, o Companheiro Lula.
Essa nota, Sr. Presidente, eu a entregarei à imprensa, mas já com a certeza, ou com o temor, de que não será divulgada. Então, peço que a TV Câmara e os órgãos de comunicação da Casa divulguem a posição aqui apresentada.
Estranho, Sr. Presidente, esse fato. Por que será que isso está acontecendo? Por que será que foi a Globo naquele tempo? Por que será que agora é a revista Época? Os mesmos proprietários.
Sr. Presidente, nesta Casa sou autor de mais de 70 projetos de lei. Grande parte deles fere os interesses da elite brasileira. Sobre um deles, a grande mídia caiu de pau” em cima de mim, na época de sua apresentação: o projeto que regulamenta a terceirização, para que não se humilhem os trabalhadores deste País.
Em relação a outro projeto por mim apresentado, houve uma ação com o seu Relator, o Deputado Sandes Júnior — e, se exigirem, direi quem foi o autor dessa ação. Esse projeto de lei obrigava queo desenho animado brasileiro fosse feito com a cultura da paz e com a cultura da solidariedade. Portanto, objetivava que os desenhos animados exibidos não fossem simplesmente os enlatados, que tivessem o interesse desenvolver o País. Isso certamente feriu os interesses de alguém.
Também apresentei, Sr. Presidente, projeto de lei que introduz no Brasil o horário sindical, para que os trabalhadores tenham o direito de dar a sua opinião a respeito da sua luta e da sua história, a exemplo do que têm os partidos políticos. Esse projeto também levou pau de determinados segmentos.
Eu não sei se é por isso. Acho até que não é. É mais irresponsabilidade na apuração dos fatos, em ver a diferença. Se tivessem dito que o Deputado Vicentinho recebeu verba tal ou pagou, se tivessem dito que o assessor de Vicentinho recebeu verba tal, embora não fosse verdade, tudo bem, mas estão dizendo que foi um membro da agência que recebeu da agência. Isso é muito grave, porque passei a vida inteira lutando para construir uma história minha companheira Benedita, meus companheiros Deputados aqui presentes sabem muito bem , uma história em que nunca me abaixei para ninguém. Não fico puxando o saco nos meios de comunicação; estou aqui porque represento os interesses do povo trabalhador deste País.
É muito triste ter de me explicar para a sociedade, mas explico com muito carinho. Mais uma vez a verdade virá à tona, todos verão. Quero ver de novo se eles vão pedir desculpas. Certamente não o farão, mas estou de cabeça erguida.
Obrigado. (Palmas.)


O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Obrigado, Deputado Vicentinho. O pronunciamento de V.Exa. está registrado nos Anais da Casa e os órgãos de comunicação desta Casa darão a ele a devida divulgação.

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